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Segunda Via da Identidade 7 novembro, 2008

Posted by Gregore Candalez in Análise, Opinião, Uncategorized.
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A América Latina consiste em um grupo enorme de países, que começa no México e termina na Argentina. Mas que característica comum une tantos povos sob uma mesma alcunha? O Brasil não fala espanhol, todos os países da tal América Latina possuem traços culturais e étnicos únicos. Você pode argumentar que nossos idiomas se originaram na língua latina. É verdade. Então um pedaço do Canadá deveria pertencer à América Latina, porque o francês também nasceu do latim.O que ocorre, na verdade, é que esse conceito de América Latina é baseado em um preconceito. Latino é aquele cara preguiçoso, colonizado pelos dois países europeus mais atrasados. E o termo foi criado pelo pessoal lá do hemisfério norte.

De um lado, os espanhóis, a corte mais atrasada da Europa, que se recusava a se industrializar e abraçar a manufatura. De outro, Portugal. Uma sombra do que outrora fora: escravo da Inglaterra e da França, tinha um rei preguiçoso e (dizem) burro e uma rainha, Carlota Joaquina, louca e ninfomaníaca – ela tinha um caso com um almirante inglês.

A identidade do brasileiro demorou para nascer – e, ainda hoje, é largamente disputada. Afinal, quem é o brasileiro? É o índio, o negro ou o europeu? As camadas dominantes da sociedade lutam arduamente para que sejam associados aos europeus. Aos olhos dos brasileiros, todos os ricos o são. Mas, aos olhos dos europeus, eles continuam sendo brasileiros.

É aí que entra o poder dos meios de comunicação em massa. A mídia tem uma força impressionante para nos induzir o que pensar. Quem já assistiu ”O Patriota”, com Mel Gibson, sabe do que estou falando. Esta cena dá até vontade de chorar.

Os Estados Unidos construíram a própria imagem. O país nasceu da honra e do sangue dos colonos, que lutaram bravamente contra a poderosa marinha inglesa e, a muito custo, conseguiu a emancipação e George Washington assinou a carta de independência!… e o que nós temos? “O Quinto dos Infernos”, “Carlota Joaquina”. Não há um filme sequer que exalte o caráter do brasileiro… exceto, talvez, por “Macunaíma” – que, na verdade é um livro. Genial, aliás.

Se não acredita que a mídia tem tanto poder assim, que ela não pode manipular ninguém, olhe ao redor – para você mesmo, inclusive. Quando você começou a falar “Sou brasileiro e não desisto nunca!”?

Adolf Hitler utilizou desta mesma técnica para reconstruir a identidade do povo alemão. Criou uma falsa imagem e repetiu incessantemente no rádio. Getúlio Vargas fez o mesmo.

Quem é você? Um brasileiro de sangue, filho orgulhoso da terra ou “meio-espanhol”, seu avô é italiano?

O PoupaTempo não te dá segunda via de identidade

Comentários»

1. Gregore Garcia - 7 novembro, 2008

PArabéns.. belo texto. Está melhorando. ficando menos acido, maus audacioso e imparcial, como acredito que deva ser. Deixar que o leitor conclua. Provocar.. está é a palavra.
Pense cmo grande, não se deixe ficar no pequeno e comodo lugar!!

2. kitty - 10 novembro, 2008

não poderia concordar mais com o comentário acima.


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